quarta-feira, 9 de março de 2016

sereia

havia lá algo
-mulher outra-
travestida de mim
quando rio

lugar nascente
cobria-na um
lenço,
repleto sóis
no estio

nadava contra cor
rente
-acho que ria,
acho.

andava na cor de
lheira
se não me engano
me olhou de esguelha
-ser-me-á?

vestia cor de mar
avilha nua
sussurrava
"ser-te-ei"
-acho que ri,
acho.

enfim a outra
de si transnudada
mergulhou-se em mim
de pe dra
de pé n'areia
e desaguei -

para sempre
ela será eu
e eu serei-a

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