quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

sensation


[um brinde à 2014!]


Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien:
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la nature, heureux comme avec une femme























[Sensação 

Pelas tardes azuis do verão, irei pelas sendas,
Guarnecidas pelo trigal, pisando a erva miúda:
Sonhador, sentirei a frescura em meus pés.
Deixarei o vento banhar minha cabeça nua.

Não falarei mais, não pensarei mais:
Mas um amor infinito me invadirá a alma.
E irei longe, bem longe, como um boêmio,
Pela natureza, - feliz como com uma mulher.] 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

dicas para tirar manchas de mágoa das roupas



1. Aja imediatamente. Quanto mais rápido você agir, melhores são as chances de remover a mancha.
2. Limpe o excesso. Tente secar o máximo que puder do líquido com um pano limpo ou papel-toalha. Retire partes sólidas com uma faca.
3. Não deixe que a mancha seque. Se não puder removê-la de imediato, limpe-a com uma esponja embebida em água fria, borrife água com gás ou cubra-a com uma toalha umedecida.
4. Lubrifique manchas secas. Se a mancha secou (ou você encontrou uma antiga), esfregue glicerina vegetal nela antes de removê-la.
5. Não use água quente, que “fixa” muitas manchas, tornando-as difíceis de remover. Use água fria ou morna na mancha da primeira vez.
6. Comece com o método mais suave. Muitas vezes, para remover uma mancha, basta água com gás ou uma solução com sabão.
7. Os movimentos são sempre de fora para dentro. Para evitar deixar uma marca circular, comece da borda externa da mancha e trabalhe em direção ao centro.
8. Não esfregue a mancha. Em vez disso, coloque um forro/tecido absorvente embaixo dela e embeba-o com a solução removedora. Certifique-se de trocar o absorvente com freqüência.

9. Trabalhe do avesso do tecido. Se possível, coloque o absorvente na mancha do lado direito do tecido e aplique o removedor pelo avesso.

10. Mais não é necessariamente melhor. Se um limpador não estiver dando certo, não aumente a potência da solução. Enxágüe e experimente outra coisa.


cantos dos insetos


Mas quem sabe onde cabe o
 amor que se faz?
É sua a sua demora.
Não quero você, nem ninguém, se não for agora.
Deixa o mar varrer, deixa cicatrizar meu nome.
Se você vier, vamos recomeçar por onde?
Deixa estar como está, este é o nosso lugar, mesmo quando não há um onde.

Deixa o mar varrer, deixa cicatrizar meu nome.


[wado]

sábado, 14 de dezembro de 2013

psicologia da composição

I

Saio de meu poema
como quem lava as mãos.

Algumas conchas tornaram-se,
que o sol da atenção
cristalizou; alguma palavra
que desabrochei, como a um pássaro.

Talvez alguma concha
dessas (ou pássaro) lembre,
côncava, o corpo do gesto
extinto que o ar já preencheu;

talvez, como a camisa
vazia, que despi.

sobre outra faceta do mesmo começo


[esse antigo para blue.]


Conhecemo-nos despretensiosamente, tratou-me sempre de forma cortês e educada. Cortejou-me na hora certa, com galanteios respeitosos, convidou-me para sair.

Chegou antes da hora marcada, esperou-me na porta do prédio. Sorriu ao ver-me, disse “você está linda” antes mesmo de dizer “boa noite”. Beijou apenas minha mão, presenteou-me com uma rosa. Abriu a porta do carro para eu entrar.

Dirigiu sem pressa, pôs para tocar baixinho uma boa rádio nacional. Disse-me “aguarde aqui” quando estacionou e abriu a porta do carro para que eu saísse. Ofereceu-me a mão enquanto eu descia. Abriu a porta do restaurante e me deixou entrar primeiro.

Puxou a cadeira para que eu me sentasse, me falou sobre as opções do menu no interesse de saber o que me agradaria jantar. Sugeriu um bom vinho e, quando o métre trouxe, dispensou-o, abriu a garrafa e nos serviu.

Perguntou-me “concede-me a contra-dança?”, e conduziu-me suavemente pela pista. Aplaudiu a banda, quando a música que dançávamos acabou. Ofereceu o braço para me levar de volta à mesa.

Serviu-me primeiro em tudo, tratou todos com muita educação. Falou de cinema, política, espiritualidade, futebol e desenhos animados. Pagou a conta, puxou a cadeira para que eu me levantasse, abriu a porta do restaurante e do carro.

Parou na frente do prédio. Recusou educadamente meu convite para subir, para mais um drink. Abriu a porta do carro e do prédio, beijou minha mão novamente, com um elegante “foi uma noite maravilhosa”, e foi embora. Olhou-me bem dentro dos olhos o tempo inteiro.

No dia seguinte, despertei com a campainha. Eram flores e uma caixa de bombons. No cartão, um bilhete que dizia “ainda não acredito na minha sorte”.

E eu, será que acredito na minha?



despertador



andava tentando
acordar nós
e ser doce antes
de entardecer

mas você tocou
o despertador
e já não podemos
adormecer



amor errado



Eu pensei que pudesse esquecer um amor errado indo embora de casa, cortando o cabelo, escrevendo cartas. Eu sonhei que o tempo bastaria. Que nunca mais quando fosse noite viria o rosto, o volume dos ombros, o cheiro de pescoço encostado... 


Acreditei em poder suportar certas misérias, deitada sozinha. Não percebi que o amor estava confundido às ferragens da alma!... Ele vem atrás, ele vem atrás até quando estamos dormindo...


Eu pensei que ele aceitasse ser abandonado, mas percebi que fica enroscado nos tornozelos da gente, rosnando baixinho, para ser ouvido até mesmo debaixo de chuva.


Eu pensei que pudesse esquecer um amor errado debaixo de chuva...




no corpo


[carpe dien; carpe carmine.]



De que vale tentar reconstituir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares?
O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.
A poesia é o presente.




os poemas são pássaros


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
nos livros que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...


poesia



Gastei uma hora pensando em um  verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

sexta-feira treze



meus trevos todos têm
                                    três folhas.

a quarta folha
                       dos meus trevos de três folhas


                                            sou eu.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Gerais

[quando a Saudade das Gerais é tanta,
que eu acho que não vai mais caber no peito.]




Minas não é palavra montanhosa

É palavra abissal. Minas é dentro
e fundo.


As montanhas escondem o que é Minas.
No alto mais celeste, subterrânea,
é galeria vertical varando o ferro
para chegar ninguém sabe onde.

Ninguém sabe Minas. A pedra

o buriti
a carranca
o nevoeiro
o raio
selam a verdade primeira, sepultada
em eras geológicas de sonho.


Só mineiros sabem. 
E não dizem
nem a si mesmos o 
irrevelável segredo chamado Minas
.



poemia para cinco

[[ou seis]]

[para o fênix.]




[traçando entre nós um pequeno texto
para diminuir a distância entre intenção e gesto.]

Quereria somente da noite escura
cessar a procura antes do previsto.
Da porta teus olhos uma abertura,
mínima fresta faísca fissura,
pista precisa para o meu manifesto.

Sendo você quisto e me tendo em vista,
não houvesse nenhum protesto,
lhe diria em resposta doçura
e se você quisesse à altura,
eis que seria o nosso contexto.

A leitura do então encontro [im]previsto
-costura sem jura, serena conquista-,
um nosso presente hedonista:
brandura, cura, Presença, Festa.

          Seríamos ternura que resta
          sem importar o contesto do resto.

[traçando entre nós um pequeno texto
para diminuir a distância entre intenção e gesto.]



oceano dos lençóis


[para o fênix, para quando - pois que ai! que vontade de.] 




não possa tanta distância
deixar entre nós
esse sol que põe
entre uma onda
e outra onda
no oceano dos lençóis





segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

já me matei faz muito tempo

Já me matei faz muito tempo
Me matei quando o tempo era escasso
E o que havia entre o tempo e o espaço
Era o de sempre
Nunca mesmo o sempre passo

Morrer faz bem á vista e ao baço
Melhora o ritmo do pulso
E clareia a alma

Morrer de vez em quando
É a única coisa que me acalma